LUZIA HELENA
da Olívio J. Fonseca

Apaixonada pelo que faz

Publicado no Jornal Pequeno em 28 de agosto de 2009

Quem olha pela primeira vez nem diz, mas atrás daquele jeito simples, de fácil sorriso e uma calma aparente, dorme uma fera. Uma fera no sentido de saber o que quer. Uma fera de saber planejar e realizar. Uma fera para passar por cima dos obstáculos e usar a sutileza feminina como uma arma poderosa para conquistar.

Nossa entrevistada é ponderada, pensa antes de responder. Com ela não existe o improviso, tudo tem que ter forma e planejamento como uma boa receita de bolo deve ter. Experimento não é com ela, mas comprometimento é uma das suas virtudes, por isso vamos saber um pouco de Luzia Helena de Freitas Fonseca Rezende, nome grande de monarca, mas com a simplicidade do povo.

Empresária da Olívio J. Fonseca, uma empresa de produtos para lanchonetes e panificadoras, que é nossa Foto Digital desta semana.

Encontrei Luzia numa missa e disse para ela que ligaria à noite para marcar uma entrevista. Nossas operadoras estavam brigadas e os celulares não conseguiam completar a ligação. No dia seguinte, apareci na sua empresa e ela não havia chegado ainda.

Estranhei, pois ela sempre chega à mesma hora. Resolvi ligar e a briga das nossas operadoras continuava. De repente, como um milagre, recebo uma mensagem dela dizendo que estava no médico e que não iria para a loja. É importante deixar claro que não havia marcado com ela. Passei 15 dias tentando fazer essa matéria, mas só depois fui entender o motivo da minha dificuldade.

Luzia é extremamente organizada e planejada, por isso nada com ela funciona com pressão e com imediatismo, bem do estilo do jornalismo.

Fiquei surpreso com esta característica da Luzia. Ela é do tipo que termina um final de semana e chega na segunda-feira querendo saber do esposo o que fará no outro para poder se organizar. Marcelo Rezende, seu marido, entra na sala e comenta: “O dia da Luzia tem que ter 48 horas”. Quando perguntei o que não podia faltar na sua mesa imediatamente respondeu: “minha agenda”.

Também se ela não for organizada estaria perdida, pois vejamos… Ela cuida da parte administrativa e financeira da empresa, é mãe de 3 adolescentes, esposa, filha e tem o pai como o dono principal das empresas, ou seja, seu patrão e, além disso, Luzia é diretora de treinamento da CDL – Câmara dos Diretores Lojistas – e vice-presidente da ACM – Associação Comercial do Maranhão. Imagina alguém que não seja organizada conseguir administrar tudo isso.

Com 15 anos, essa piauiense, nascida em Teresina, começou a trabalhar. Aos 17 anos, já sabia o que fazer da sua vida, gostaria de continuar o projeto profissional do pai. Tinha definido que faria uma formação em Ciências Contábeis. Começou no setor administrativo da Olívio em Teresina e fazia as férias das funcionárias. Sua carteira é assinada desde aquela época.

No seu 1º vestibular, passou para sua 2ª opção que era filosofia, curso que se arrepende de não ter feito. Como o foco era contábeis, com seu jeito de querer controlar as coisas, ela convenceu sua irmã Maria Iva de fazer vestibular juntas em Fortaleza. Sua irmã não passou, porém seu irmão Olívio Filho, outro que ela conseguiu convencer, foi morar com Luzia em Fortaleza e fez seu curso superior na Unifor – Universidade de Fortaleza.

Enquanto estudava, ela procurou trabalhar.

Apesar de até poder ter uma vida mais fácil como estudante, não é da sua característica ficar parada. De dia fez estágios na Caixa Econômica, numa indústria e no escritório de contabilidade. Tudo isso deu muita experiência para jovem que buscava encarar os negócios da família.

Aos 22 anos, ela volta para trabalhar com o pai, Olívio Joaquim, que é a sua grande inspiração profissional e a pessoa que acreditou de verdade nela. Com ele, Luzia começou a entender não só os negócios, mas a lidar com a figura masculina como centro da sua vida. Fazia papel de filha e funcionária, pois sem saber o que viria pela frente, sua vida seria marcada por mais 4 homens: seu marido e seus 3 filhos. E ela seria a grande mãe de todos.

Luzia descobriu uma fórmula para lidar com eles. É do tipo meio que trator “ou vocês se enquadram na minha agenda ou vou passando por cima”. Claro, com todo o carinho que uma mãe e esposa deve ter, porém com a energia necessária para puxar a orelha de vez em quando e isso incluí o marido. Mas sabe que no final ela perde para todos, pois confessa que seu esposo é o grande amigo, amor da sua vida e que vive intensamente estes momentos com os filhos para não perder nenhum minuto.

Ela não esconde que a ideia de ver os filhos crescendo e indo cada um viver suas vidas é algo que assusta um pouco. Tanto que já programou seu futuro com o esposo para viajar. Acho que ele nem acredita muito nisso, mas se ela determinar, isso vai acontecer.

Uma marca da Luzia é a bondade. Ela não tem apego material e gosta de dar as coisas. Faz calada um trabalho assistencial e não disse na entrevista, mas sei ela deu a primeira mão para muitas pessoas que já foram na sua loja para iniciar um negócio.

Não é a caridade da culpa para justificar alguma coisa. É o ato de ensinar a pescar o que marca Luzia e isso ela traz para sua vida. Comove-se como brasileira de ver que ainda existem crianças fora da escola, mas em nenhum momento colocou culpa em ninguém, talvez por saber que procura fazer sua parte e quem quiser que faça a sua. Quando cobra, deve fazer por outros meios, como o voto por exemplo.

Sua simplicidade é algo muito interessante. Como jornalista, vejo de tudo e tenho oportunidade de viver certas situações, porém ainda me assusta ver o que seria o óbvio: a humildade de quem venceu como algo fora do normal. Ela não tem secretária, sala de espera e atende telefone do público. Algo normal numa empresa vendedora, mas fora dos padrões de alguns empresários que colocam tanta barreira que se esquecem de quem é a grande estrela do negócio: o cliente.

Luzia é diferente de tudo que já vi. É de uma empresa de 45 anos em Teresina e de 25 anos aqui em São Luís. Seus produtos estão em quase 70% das empresas do setor de panificação. Ganhou o respeito do mercado e de outros profissionais. Participa em duas associações de classe de grande importância no Maranhão e conquistou seu espaço com trabalho e muito determinação.

O melhor de Luzia é que nada disso abala seu jeito de ser. Ela continua a mesma, simples, na dela, entende claramente a diferença de promover sua imagem junto com a sua empresa, ao invés de aparecer como pessoa e faz da sua vida um exemplo para quem quer aprender. Procura passar para seus funcionários e clientes toda a sua experiência. Para mim, é sempre uma grata surpresa encontrar pessoas assim.

Uma receita de bolo com Luzia Helena

Nome: Luzia Helena de Freitas Fonseca Rezende.
Dia e mês que nasceu? 27 de dezembro.
Signo? Capricórnio.
Acredita? Acredito na influência dos astros.
Cidade que nasceu? Teresina-PI.
Casada? Sim, 18 anos com Marcelo Rezende.
Filhos? Pedro com 15 anos e os gêmeos Lucas e Felipe com 13.
Empresa? Olívio J. Fonseca.
Ramo? Empresa de produtos para panificação e lanchonetes.
Quando começou a trabalhar? 15 anos.
Quando descobriu que era isso que desejava? Numa viagem de meu pai, percebi que precisava saber mais para ajudar nos negócios.
Pessoas importantes para você? Meus pais: Olívio e Socorro.
O que representa sua família? Minha estrutura.
Saudade de alguém? Minha avó Luzia Freitas.
Como é a chefe Luzia? Já fui muito centralizadora, mas agora delego mais, sou amiga e companheira.
A mãe? Dedicada e chata, pois cobro muito. Apesar da minha vida agitada nunca faltei em atividades dos meus filhos.
O que faz nas horas livres? Ler e adoro ir ao salão de beleza cuidar de mim.
Gosta de fazer o que em casa? Organizar a casa (risos).
O que não pode faltar na sua mesa? Agenda (muitos risos).
E na sua bolsa? Meu batom e cartão de visitas.
Um lema de trabalho? Planejamento (gargalhadas).
A 1ª venda a gente nunca esquece? Um fogão industrial que o cliente não acreditava que funcionaria. Mandei ele trazer a receita para cá e assamos o bolo aqui.
O 1º cliente a gente nunca esquece? Seu João de Deus que tem uma padaria no bairro de mesmo nome: João de Deus.
Um bom bolo é aquele que…? Desmancha na boca.
Uma boa panificadora é aquela que…? Tem uma diversificação de produtos.
Os clientes estão mais exigentes? Estão. Conhecem mais da sua área.
Já vendeu alguma coisa na infância? Sim, fazia e vendia dindin em Teresina, aqui parece que o nome é sacolé.
Uma alegria no trabalho? Um cliente voltar bem estruturado e agradecer pela oportunidade.
O que nunca beberia? Rum.
O que nunca comeria? Como de tudo.
Seu grande amor? Meu esposo Marcelo Rezende que me apoia em tudo.
O que seus filhos representam para você? Uma missão
Se voltasse no tempo mudaria alguma coisa? Faria mais especializações.
O que nunca esquece? A oportunidade que meu pai deu em acreditar em mim.
O que é o passado? Não me ligo. Só lembro das coisas boas.
O que é o presente? Curtir meus filhos antes que cresçam e peguem o mundo.
O que é o futuro? Eu e Marcelo viajando.
Se não fosse na área comercial o que seria? Assistente social.
O que mais marcou sua carreira? Minha forma de desaprender de 8 anos para cá e aprender a me tornar uma nova empresária.
O que mais deixa Luzia triste? Crianças fora da escola.
Sua dica para quem quer montar um negócio? A área de alimentação é muita boa, pois você pode começar de forma caseira ou até com um grande restaurante.

11111111

"Uma marca da Luzia é a bondade. Ela não tem apego material e gosta de dar as coisas. Faz calada um trabalho assistencial"

Momentos especiais