MORAES JR

In memoriam: um
apaixonado pela Cultura

Existe uma frase que diz assim: o show tem de continuar, porém no dia 02 de outubro 2021, o show não pode continuar, não em virtude da covid, mas porque o amigo e produtor cultural Moraes Jr. faleceu/desencarnou. Uma final de espetáculo que ninguém que amava Moraes queira assistir. O último acorde que tocou fundo no coração dos amigos e admiradores desse bravo trabalhador pela arte. Foi de repente que a doença se instalou e foi de repente que Moraes se foi.

Moraes foi um show maravilhoso, uma peça de teatro maravilhosa, que a gente não queria que acabasse, mas infelizmente acabou. Não teve bis, foi como deveria ser, pois nenhum de nós que o amava gostaria de ver essa grande pessoa sofrer diante de tanta alegria que nos deu e amor pela vida que tinha.

Moraes Jr. era querido de todos. Um excelente ser humano, ajudava as pessoas que sempre precisavam de ajuda. Profissional que viveu num meio muito disputado e de muitas vaidades, porém como um profissional sério e exigente, soube lidar como poucos com essas adversidades.

Quantos “nãos” precisou dar para alguém que gostaria de ter um ingresso do seu show, visitar um camarim de um artista, mas que ele não podia fazer por várias circunstâncias. Dizem que até o “não” dele era muito gentil. Era um “não” que sempre procurava explicar o motivo com muito carinho.

Moraes nasceu em São Luís em 13 de junho de 1962, às 21:30 (horário que muitos espetáculos iniciam), filho de Francisco Benedicto e Emy de Nazareth (uma grande paixão na sua vida), irmão de Silvia, Dora, Francy, Carlos e o amor do Hudson.

Amigo de muita gente, mas, em especial, na adolescência de Cabral Marques, Solange Bayma, Irlana, Lenita Sá, Ivanara, Assis Gondim Filho, Vânia Habibe, Rita Fiquene, Walber Santana, Cristina Santana.

Com Irlana, gostava de pular o muro do Colégio Marista para esperar os artistas que chegavam ao Maranhão. Quem diria que no futuro não precisaria mais pular muro, pois os artistas chegariam por suas mãos.

Apesar da forma gentil com que lidava com as pessoas, não se iludem, pois quando se falava do lado profissional, era muito exigente, perfeccionista e queria tudo certo, pois o seu grande prazer era ver a casa cheia, não pelo dinheiro em si que é importante, mas pela alegria em dar o melhor para o publico que prestigiava seus eventos.

Uma pessoa simples, com paz no coração, gostava de beber com os amigos, comer esfirra, cachorro-quente na Praça Deodoro e ir para Alcântara. Quando adolescente, gostava de andar de bicicleta, ouvir músicas e ler.

Resolvi fazer essa homenagem ao amigo Moraes Jr, porque ele merece. Fiz em vida também, quando o entrevistei para televisão no Teatro Artur Azevedo, porém seria injusto escrever sozinho esse texto, por isso quero acrescentar alguns depoimentos de pessoas que conviveram diretamente com ele, como o caso das irmãs Adriana Vieira e Danielle Vieira, donas da InterMídia.

“Despedida ao amigo que foi morar no céu.

No palco da vida real, brilham mais aqueles que são puros de coração e de alma leve… Assim como você, que brilhou para tanta gente, amigo querido!

Moraes Jr. trabalhava nos bastidores das produções artísticas e com seu trabalho nos fez rir, chorar, emocionar. Fez muito pelo teatro e formou grandes plateias… Era uma pessoa boa, simples, seu sorriso parecia iluminar o rosto competindo em brilho com seu belo par de olhos claros. Há quem diga que olhos são espelhos da alma. Nós cremos nisso e Moraes Jr. tinha tanto os olhos, quanto a alma, lindos!

Fizemos várias parcerias profissionais juntos e, além de bons trabalhos, sempre era divertido estar com ele.

Hoje, ele foi brilhar no céu e deixou o nosso palco da vida aqui, bem desfalcado de seu alto astral.

Espiritualizado, inteligente e gentil, nosso querido amigo fará falta e sua partida nos dói muito. Mas nos consola acreditar que agora está livre de dores e nos braços do Pai.

Estaríamos juntos em um próximo trabalho especial, a divulgação local do musical sobre Alcione que ele desde o início estava envolvido, dando todo o suporte aos seus amigos Jô Santana, produtor, e Miguel Falabella, diretor. Mas não deu tempo dessa vez…

Mas fica entre nós o seu legado de amor e dignidade. Feliz daquele que parte, mas deixa um pouco de si em nossas lembranças.

Pessoas como Moraes Jr. só partem, mas ficam para sempre em nossas melhores lembranças!

Vá em paz, querido Moraes Jr., e obrigada por ter nos emocionado tanto com sua arte em vida.”

Moraes gostava de muitos artistas citarei alguns: Nany People, Elizabeth Savala, Aracy Balabanian, Ary Fontoura, Lucélia Santos, Sérgio Mamberti, entre outros. Ele trabalhava no que gostava de fazer e ainda ganhava por isso, tinha muito prazer no que fazia e sempre com muito respeito ao artista e ao público.

Moraes contou uma vez que quando trouxe a Luana Piovani para fazer um espetáculo aqui em São Luís, muitas pessoas o alertaram sobre a dificuldade em trabalhar com a artista, porém ele disse que não teve problema algum, pois o que muitos achavam ser estrelismo, ele via com profissionalismo dela e como ele também era profissional não teve problema.

Outro caso foi do Miguel Falabella, mais uma vez disseram que ele teria dificuldade em trabalhar com o Miguel, porém aconteceu a mesma coisa com a Luana. Não teve problema algum e virou até amigo do artista e muitas vezes se encontraram no Rio de Janeiro. Ele tratava o artista de forma normal e respeitosa, sem estrelismo, com respeito profissional e ganhava em troca a mesma coisa.

Aos 17 anos, queria ser ator, mas decorar textos, ensaios, entre outros dava muita irritação. Uma vez, conheceu o produtor do show de Gal Costa, em 1985, que confidenciou não querer vir mais fazer show aqui, pois não encontrava produtores. Com senso de oportunidade, Moraes se ofereceu para ajudá-lo e aprender a fazer esse trabalho. Deu certo e ele lançou o seu primeiro espetáculo que foi “Dona Flor e seus dois maridos” de grande sucesso e não parou mais.

Ele passou por muitas dificuldades, principalmente por trabalhar na Cultura, pois não é fácil, falta de apoio e da baixa valorização dos eventuais culturais. Muitos sucessos, mas também projetos que não deram certos como esperava. Porém nunca perdeu a fé e até dizia que “fé é tudo. Fé verdadeira é tudo no tempo de Deus”.

Essa sua fé era encontrada na Igreja Messiânica, no seu líder Meishu Sama um pilar para ele e que teve a oportunidade de viajar duas vezes ao Japão para conhecer a origem dela.

Mais uma amiga que vai participar desse texto também. A artista Nanny People.

“Moraes Jr era uma luz. Moraes Jr. foi um dos maiores homens do teatro que conheci, uma das maiores pessoas, mais brilhantes e humanitárias. Um dos homens mais queridos que conheci na minha vida. Ele era um homem que tinha amor pela vida e pelas pessoas, pelo próximo, respeito e uma alegria de viver. Uma celebração com a vida e isso era direcionado no trabalho dele.

A gentileza que ele tinha em conviver com as pessoas da imprensa, das produções de televisão. O Brasil inteiro conheceu Moraes Jr. pelo trabalho dele em São Luís e as pessoas de teatro e todas as companhias foram a São Luís pelas mãos de Moraes Jr. Era um irmão que a vida me deu. Uma pessoa divertida e muito querida.

Um homem brilhante. Tenho muitas saudades dele.” Esse era Moraes, um homem brilhante e amado pelos artistas.

Outro amigo que também vai participar com um depoimento é o Promotor de Justiça José Cláudio Cabral Marques.

“Conheço Moares Jr desde os 5 anos de idade. Fizemos o antigo pré-primário nos Irmãos Maristas. Nós temos uma foto com 5 anos de idade lá no pátio do colégio. Sempre fazemos uma reunião com os amigos do Colégio e Moraes sempre aparecia com aquele jeitão dele brincalhão. Ele era muito querido e respeitado pela gente. Amado por todos nós!

Dos meus 15 anos até meus 20 anos, passei a ter um contato novamente maior com Moraes Jr. A gente sempre saia juntos, ele sempre teve uma situação financeira melhor que a minha e que possibilitava sair de carro, ir a algum bar e até mesmo um restaurante. A gente fez muita farra juntos.

A família dele tinha uma casa na beira da praia e um barco (nome Libra) lá em Ribamar. A casa muito bonita e parecia um catamarã. Nós íamos final de semana e era uma festa.

A lembrança que tenho de Moraes sempre é de uma pessoa muito alegre, extrovertida e isso foi se desenhando na vida dele. Lá no Marista nos primeiros anos, ele era tímido. Ele sempre foi uma pessoa diferenciada.

De volta a São Luís depois de muitas idas e vindas, reencontro Moraes como produtor cultural. A última vez que conversamos, só nós dois, foi lá no Tropical Shopping, num final de tarde. Eu estava passeando e ele estava sozinho indo para um cinema no Shopping São Luís.

Tivemos a oportunidade de relembrar muitas coisas e foi aí que comecei a entender essa nova vida profissional dele, os relacionamentos que ele teve, as dificuldades da vida, com episódios bem fortes, bem trágicos, mas ele superou todos com muita vontade de viver e aproveitando sempre o melhor da vida.

Fica uma saudade grande do Moraes Jr. Ele sempre está nas minhas orações, nos meus pensamentos e fica faltando no nosso grupo de amigos a presença dele.

Moraes deixou uma mensagem pra mim através de Madalena que mostrava como era a nossa relação de irmãos, de pessoas que se amam. Eu lembro na missa de 7º sétimo dia dele e chorei muito. Fui honrosamente convidado a ler uma passagem bíblica.

Fica esse depoimento do amigo, irmão que amou e respeitou muito esse ser humano que é Moraes Jr. Fica muita saudade e tenho certeza de tudo que ele fez aqui está num bom lugar. Moraes era gente boa. Gente do bem.”

Amizade sincera é tudo e Moraes era muito fiel nas suas relações. Sempre cultivou um amor verdadeiro pelos seus amigos e pelas pessoas que conviviam com ele.

Quem olhava pra ele não percebia se estava ou não com um problema, pois sempre procurava transparecer felicidade para as pessoas, não que fosse uma forma de esconder, mas sim de acreditar que tudo na vida passa e não adianta ficar se lamentando. Estamos de passagem nesta vida.

Tentando fazer esse texto tive um apoio fundamental da sua irmã Francy que conseguiu alguns depoimentos e, claro, deixou o seu falando como está sendo viver sem Moraes na sua vida.

“O que falar de Moraes Jr.? É tão fácil e, ao mesmo tempo, muito difícil. Moraes é uma pessoa ímpar na minha vida. É meu irmão. Minha alma gêmea, meu bebê. É minha vida Moraes para mim.”

No dia 02 de outubro quando ele se foi, levou mais da metade de mim e hoje, não consigo mais viver como era com ele. Moraes era a minha energia, meu dia a dia, a minha flor e a minha luz. A minha vontade de viver. Quando foi descoberto o problema que ele teve, Moraes me disse que foi o pior dia da vida dele. Desde desse dia, nós fizemos uma simbiose, acompanhei ele em tudo e, de repente, ele me deixou.

Ele se preparou para partir, pois recebeu e fez muitas orações e disse: ‘Minha irmã, se não tiver cura, quero ir pelo menos iluminado’ e ele foi e continua sendo esse ser iluminado que sempre foi. A bondade em pessoa, um ser inexplicável. Mensurar o amor que sinto por Moraes é impossível. Muito difícil.

Desde a infância e na adolescência, sempre fomos muito ligados um com o outro. Muito cumplices, mas quando eu fazia alguma coisa errada, ele me chamava a atenção. E eu sempre obedeci. Fui embora muito cedo de São Luís. Fiquei 30 anos no Rio de Janeiro, mas sempre quando ele ia, lá ficava comigo e íamos a todas as festas, teatros, nos divertíamos. Ele comprava muitos presentes e a companhia dele era tudo de bom.

Quando fui embora do Maranhão, quem me levou ao aeroporto foi ele. Essa gratidão por esse ser humano é imensurável. Não é fácil perder um irmão que tanto eu amava nessa vida. E muitas vezes me pego acordada ele dizendo assim ‘minha irmã, bebê, eu vou passar ai pra te buscar pra gente ir a igreja’. E hoje em dia, ele não passa mais para me buscar, está muito difícil.

Já faz 4 meses, mas é como se fosse ontem e cada dia que passa a dor e a saudade sempre aumenta. É muito triste acordar e não ter ele aqui.”

Ao ler esse depoimento é que a ficha caiu: Moraes Jr. morreu. É estranho, para mim, escrever o verbo no passado para falar dele. Moraes sempre foi presente e futuro. Viveu a frente do seu tempo. Trouxe cultura e lazer para os maranhenses. Chorou, riu, ficou triste e viveu intensamente.

Como escrevi no início: o show não pode parar. Realmente não pode, mas para os amigos de Moraes Jr., assistir, por exemplo, a uma peça de teatro no Artur Azevedo e saber que ele não está produzindo não vai ser fácil. O show deu uma parada, mas nosso amor, carinho, respeito e gratidão por você, Moraes Jr., não para nunca. Essa homenagem é bem pequena, perto de tudo que você fez para o Maranhão, seu povo e amigos.

 

11111111

“O que falar de Moraes Jr.? É tão fácil e, ao mesmo tempo, muito difícil. Moraes é uma pessoa ímpar na minha vida. É meu irmão. Minha alma gêmea, meu bebê. É minha vida Moraes para mim."

Momentos especiais