FRACISCO JOSÉ DOS
SANTOS SOUSA

O Sousa do
cachorro quente

Publicado no Jornal Pequeno no dia 22 de maio de 2009

A receita é simples: Pão, salsicha e molho. Claro que o molho foi mudando com o tempo e a variedade da salsicha e do pão também, mas no final é pão, salsicha e molho. Porém o que faz esta simples receita tornar-se, em algumas cidades, uma marca? Qual é o segredo de pessoas saírem de outros bairros só para comerem um cachorro quente? A resposta vamos tentar responder juntos durante esta Foto Digital com o Sousa do cachorro quente.

Quem viveu no Rio de Janeiro nos anos 80 conheceu o cachorro-quente do Genial, que fez muito sucesso no Estádio do Maracanã.

Tem também um dos mais badalados que é o General na Barra da Tijuca e o General Prime Burger em São Paulo.

Já em Porto Alegre, o cachorro-quente do Rosário e, em Belo Horizonte, o cachorro-quente da picape vermelha. Quem conhece Nova York já comeu o cachorro quente do Charlie, bem em frente ao Fashion Institute of Technology, na 27th Street W com a 7th Ave, em Manhattan. Mas os ludovicenses aprenderam a gostar do cachorro-quente do Sousa que fica na Praia Grande e já está ficando de maior de idade, ano que vem completa 18 anos de existência.

Mais de um mês que tento entrevistar o Sousa, um homem difícil, mas eu decidi que, nesta semana, ele seria o entrevistado do nosso quadro. Finquei meu pé e não saí de lá sem minha matéria.

Eram 23 horas de terça-feira, final de expediente, Praia Grande já estava vazia e o movimento já diminuía na barraca dele, sentamos e começamos a conversar. Ele, apesar de bem comunicativo, é tímido e, com um sorriso discreto, tentou falar um pouco da sua luta. Este filho da cidade de Brejo do Anapurus, no Maranhão, começou na construção civil como ajudante de pedreiro, trabalhou 4 meses e logo partiu para o comércio. Trabalhava como empregado numa loja, porém o tino comercial sempre foi forte.

Passou a comprar peças no atacado e nos finais de semana vendia nas feiras de tudo, até calcinha. Logo apareceu uma oportunidade de comprar um carrinho de cachorro quente e seu objetivo era vender o produto nas praias e no carnaval. Porém quis o destino que neste período o Projeto Reviver fosse inaugurado e, como tem cabeça de empreendedor, Sousa depois que saía do trabalho, ficava sentado observando o ir e vir das pessoas e imaginando o que podia colocar para atender tanta gente que circulava. Discretamente, começou a colocar o seu carrinho que havia comprado, mas antes só um detalhe: o nome do cachorro-quente era Malu, Sousa veio depois. No primeiro dia, vendeu apenas um cachorro-quente. Apesar do insucesso nas vendas, a partir daquele momento, ele tinha decidido que era aquilo que queria fazer na sua vida, porém ele nem imaginava o problema que começou a arrumar.

Reviver recém-inaugurado, a vigilância era total, por isso ambulante no local era proibido. Sousa penou, andava com seu carrinho de calçada em calçada. Ele passou por todos os lugares possíveis no Reviver, do outro lado da avenida, na Praça Nauro Machado, já até foi retirado pela Polícia Militar. O que me deixou encantado foi quando ele contava a sua luta e, muitas vezes, a humilhação que passou, sem revolta ou sentimento de vingança, sempre com um sorriso contava sua história. Obstinado, nada poderia impedir a sua vitória.

O tempo foi passando e, com o seu jeito carismático, ele conseguiu que pessoas influentes começassem a defendê-lo e, aos poucos, as coisas começaram a se ajeitar.

O grande impulso para os negócios do Sousa foi uma matéria feita pelo Jornal Chumbo Grosso da UFMA e a partir dali o sucesso foi grande. No seu primeiro dia, ele vendeu 4 cachorros, no 2º 3; no 3º 1; no 4º 5 e, a partir do 6º dia em diante, não parou mais de vender.

Sousa lembra com saudade do seu início quando conheceu um casal, ainda de namorados. Eles chegavam juntos e ajudavam o Sousa a arrumar sua barraca, sempre no mesmo horário eles estavam lá, hoje são casados e têm filhos da idade praticamente do tempo que Sousa tem sua barraca.

E, afinal, qual é o segredo do sucesso de fazer um pão com salsicha e molho virar uma marca? Para mim, é a obstinação deste homem, ele sabe aliar a vontade de ganhar dinheiro com a de servir. Não desiste, persiste. Não guarda mágoas e é um homem feliz. Sabe dizer não, o que é importante nos negócios, mas sabe dizer sim para quem realmente precisa. É grato a quem o ajudou e sabe que não conquistou nada ainda e vem construindo sua história com total ajuda dos seus fiéis clientes os quais ele sabe cativar com amor.

Uma vez, eu perguntei a um grande mestre japonês qual o segredo para fazer o melhor para alguém? A melhor comida, o melhor trabalho, o melhor atendimento e ele me respondeu de forma simples: “Você precisa ir junto com o que você está fazendo” e é o que Sousa faz há 18 anos. Além de colocar uma salsicha no pão com molho, ele coloca todo o seu amor, a sua história, a sua obstinação e isso faz do cachorro-quente do Sousa entrar para o hall dos mais famosos do mundo. Eu acho e você não?

 

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Aniversário em família

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