ZÉ CIRILO

O comunicador sempre jovial

Publicado no Jornal Pequeno dia 26 junho de 2009

A frase do escritor argentino José Igenieros, autor do qual nosso entrevistado gosta, consegue definir o momento atual que vive este grande comunicador maranhense: “A juventude finda, quando termina o entusiasmo”.

José Cirilo Teixeira Filho, um sessentão com muito orgulho, mas um jovem sempre, com uma vitalidade que deve incomodar aos mais parados, vive a vida intensamente. Dinâmico e com o raciocínio rápido, Zé Cirilo, como é conhecido profissionalmente, é o nosso Foto Digital desta semana.

Como jornalista, especialista em marketing e com alguns anos de janela, posso afirmar que Zé Cirilo é uma marca. Ele é um case de mercado a ser estudado e faz parte da história da comunicação e da publicidade do Maranhão.

Ele não faz um tipo no ar, não criou um personagem, ele apresenta nos seus programas de televisão, rádio e na sua coluna escrita o que realmente ele é: uma pessoa comunicativa, que gosta de estar com as pessoas, sincero, sabe da responsabilidade que tem como comunicador e adora citar frases, quando não as têm prontas, cria as suas próprias de forma bem peculiar como essas:

“Nada melhor que um dia depois do outro, uma noite para acontecer e uma madrugada para agasalhar” ou “nunca entre numa confusão sem tirar proveito dela”.

Conversar com ele é como assistir a um dos seus programas. A capacidade de lembrar nomes e datas é algo impressionante, sabe de cabeça todos os veículos de comunicação nos quais trabalhou, quanto tempo ficou em cada um e nome dos diretores, além disso é capaz de lembrar dia e hora de um acontecimento com 30 anos passados.

Ele não tem secretário, se tocar o celular você será atendido pelo Zé. Espontâneo, em nenhum momento, mediu as palavras para responder as perguntas e, de forma clara, mostrou como fez sua carreira com base na intuição, no talento natural, na capacidade de fazer amigos e por acreditar no trabalho.

Zé Cirilo iniciou no mundo da mídia, de forma amadora, em Pedreiras, sua terra natal, na Rádio Mearim, aos 14 anos de idade. Gazeava, como gosta de dizer, a aula do ginásio Correa de Araújo para fazer um programa esportivo, mas foi em 1970, no Jornal Imparcial, que iniciou para valer sua carreira na comunicação. Escrevia a Coluna Estudantil, porque ele fazia economia, curso que é sua formação acadêmica. Depois sua segunda coluna Transação no Jornal Estado, no suplemento sete dias. Foi a partir deste ponto que ele mostrou todo o seu talento e também a arte para atrair negócios na área da publicidade, comenta “foi um sucesso este meu trabalho com Cordeiro Filho”.

Quem pensa que nas horas de lazer Zé Cirilo fica parado errou redondamente. Ele faz dos seus programas na Rádio Difusora FM, do Programa Deixa Rolar com Paulinha Lobão e do Drincando com Zé Cirilo, uma forma de encontro com os amigos. Como ele gosta de frases, essa encaixa bem: ele faz o que gosta e ainda é pago para isso. Nos finais de semanas, sempre que possível passa perto dos seus familiares. É extremante caseiro se o assunto for cuidar da casa, pois acredite: ele é capaz de pegar um martelo e colocar um prego na parede e, além disso orgulha-se de fazer um caldo de ovos que os amigos adoram. A prole é grande, são 7 filhos. Hoje, dois, Keno e Jonathan, trabalham com ele na produção dos seus projetos de TV, rádio, jornal e internet.

Se você falar em aposentadoria perto dele, ele vira uma fera, pois ele perdeu a carteira de trabalho, não sabe onde colocou, nunca tirou uma nova e comenta aos risos “aposentar só na morte”. Para quem olha a forma como ele fala entre palavras, risos e gargalhadas, pode até achar que gosta de aparecer, como se precisasse disso, mas é pura positividade. Zé fala com emoção, pois tudo que faz realiza com amor e todo mundo que ama fala com o corpo. Em nenhum momento da nossa entrevista, ele disse que era o melhor ou fez alguma crítica a colegas de profissão, mesmo quando provocado por mim. Perguntei a ele se ele se considerava um Chacrinha, um Silvio Santos ou um Amauri Junior, de forma tranquila não se comparou a nenhum deles, mas disse que hoje está muito mais para fazer um programa popular uma mistura de Chacrinha e Silvio Santos local, sem perder o público que o iniciou, pois ele consegue atender a todas as classes.

O lado folclórico e o estilo do Zé Cirilo fazem parte da sua trajetória. Expressões do tipo o acima, do arriba, são marcas deste comunicador. Para ele, é a melhor tradução de impacto que a pessoa chegou ao mais alto que podia alcançar e foi uma premiação de sucesso. Casos engraçados são muitos. Um dia, foi convidado a participar de um almoço, no povoado de Carema, em Santa Rita, porém ele só bebe uísque com água de coco, por isso leva sempre a sua garrafa com a água. Quando chegou ao local onde seria o encontro com sua garrafinha a tira colo, ele descobriu que o anfitrião era um dos maiores exportadores de cocos do Norte e Nordeste e o que mais tinha na casa era água de coco para colocar no uísque.

Na profissão, o ainda jovem repórter cobria o Governador Pedro Neiva que iria implantar um governo itinerante, na época era chamado de DERIM, muito empolgado com a possibilidade de passar a matéria, ficou sem saber como fazer, pois em 1974 não existia a tecnologia que existe hoje e era pior no interior. Recorreu ao posto da antiga Telma e, através da telefonista, conseguiu passar a sua matéria, um feito que ele lembra com orgulho.

Falar da história de Zé Cirilo numa pequena página de jornal é uma tarefa difícil, pois só a vida profissional vale um livro. Como conseguir num espaço tão pequeno falar de uma história tão rica? Como falar de um dos maiores comunicadores do Maranhão que já está fazendo quase 4 décadas de sucesso? É muito difícil, mas para quem vai ler e o conhece sabe que quase nada disse do homem batalhador, do amigo de todas as horas, do ser humano José Cirilo que doa na calada. Faltou espaço.

Pouco falei do profissional que gera empregos, pois faltou espaço, não falei do pai amoroso e orgulhoso dos filhos, pois faltou espaço, mas o certo é que, no coração deste homem dedicado, bom colega de profissão, companheiro, não falta espaço para amar a vida e as pessoas, dar carinho e, acima de tudo, ser grato a todos que muito o ajudaram. Tem espaço neste coração para dar ajuda e orientação profissional a quem precisa.

No meu texto faltou espaço, mas no coração dele não tem espaço para rancor, mágoa, arrogância ou os sentimentos menores que muitas vezes vivem nas vidas de pessoas deste meio, cheias de vaidades e, muitas vezes, fugazes.

Talvez numa das suas frases Zé Cirilo dissesse: As pessoas precisam subir primeiro no ônibus e com muita calma tentar sentar na janela, mas durante a viagem, não logo depois que subiu. Não disse isso na entrevista, mas tem horas de ônibus para falar se quiser, pois seu tempo de estrada lhe dá condições para dirigir quantos ônibus vierem e sentar onde desejar.

Acima do arriba, Zé Cirilo, OK! OK! OK!

 

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“Nada melhor que um dia depois do outro, uma noite para acontecer e uma madrugada para agasalhar”

Zé Cirilo

Momentos especiais